MALIM ZAMARIAN

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V – Você tem boas recordações da boemia?

Ah! Muito boas…não tenho coragem, hoje, mais de repetir, de maneira nenhuma ah! Mas… se eu não tivesse feito acho que seria hoje um homem até triste.

V – Então, foi importante?

Muito importante… muito importante. É… muita gente confundiu boêmio com… um dos maiores boêmios de Mococa foi o Monir e ele não bebia.[…] quer dizer, eu bebia […] eu era alucinado pela noite… […] tem uma passagem que eu conto que o pessoal acha graça. Sábado pra domingo dificilmente eu chegava em casa antes das seis… e num sábado eu cheguei era cinco e pouco… sabe a casa em que nós morávamos lá na Piú Bela, a tramelinha da janelinha não ‘tava fechada… eu chegava e tirava o sapato, minha mãe, em respeito ao pai e a mãe, naquele tempo você não ia ao jardim sem paletó e gravata… eu fiquei encrencado com uma mulher na zona, seis anos, uhhh! mas, pra sair foi duro, uma parada violenta… então eu cheguei… eu cheguei do jardim, fui pro meu quarto, tirei o paletó, tirei a gravata, pegar a toalha e fui me lavar pra… Quando eu vou saindo do banheiro a minha levanta: “- ‘Cê vai pá missa, filho.” Falei: “- Eu vou”. Aí eu fui junto com ela pra Igreja…  sentei no último banco da Matriz… dormi a missa inteira. Pra não desrespeitar minha mãe.

E tive umas passagens muito… eu tive uma coisa que me agradava muito. Eu sempre tratei as prostitutas como seres humanos… seres humanos. Não que elas gostavam muito de mim, agora eu tinha muitos dos meus amigo que iam aprontando, iam dando tapa na coisa, dando pontapé… eu não! Eu respeitava… Tanto é que quando eu casei, ‘cê pode até duvidar disso,  eu peguei um maço de convite ed fui lá na Zona e “ Como é teu nome completo”. 

Na esquina da Matriz, aqui, que era um casarão riquíssimo, tinha duas ou três prostitutas para ver a saída do meu casamento da Matriz. Consideração. Educadas. Que as prostitutas no meu tempo eram educadas, não cumprimentavam ninguém na rua! Discreta! Entravam num bar… o bar do Luigim, que era um núcleo boêmio, também, quando elas entravam, se tivessem alguém conversando alto todo mundo parava, respeitava, elas pediam um copo de conhaque ou uma cerveja, sempre respeitava, agora, lá nas quatro paredes a coisa era diferente. Na rua… Hoje não precisa de zona, mais…

Eu só sincero de que melhorou em vários aspectos barbaridade, mas em alguma coisinhas piorou. Por exemplo: Cadê o romantismo, hoje? Não é o mesmo.

V – As mulheres deixaram de ser românticas?

Completamente. A gente não pode sempre generalizar. Até tenho um filho que fez uma casa muito boa, por sinal,ele tá com 38 anos, e eu: – “ Meu filho. Não fica sozinho, meu filho.  Não fica sozinho que é duro, a velhice é dura…” – Papai eu tenho medo”. Mas como ta tudo mudado. Entre eu e meu filho eu tenho um diálogo com ele. É, eu falei, olha: “- faz o seguinte… ‘cê com medo de casar?” “To”. […] eu casei com 38 anos e a minha mulher com 19. ‘cê sabe qual que é que era o medo do casamento? Enfrentar a Igreja! Eu tinha um medo, aquela coisa, mas, falei: “ Não precisa casar, filho, leva a moça pra morar com você. Se der certo ‘ceis continuam, se não der, o que que vai fazer. Eu já tenho um filho divorciado, mas, não critico, não critico de forma nenhuma.

[…] Que eu posso fazer: – “ Sou teu pai, tudo o que você fizer, conte comigo”. O que é que eu vou fazer. A sorte, e eu agradeço a Deus por isso, é que eles não tiveram filhos. Eu costumo, agora que eu estou como Titular de Juiz de Paz, não é em todos os casamentos que eu falo isso […] por exemplo: eu, tal e qual padre, já tá decorado e às vezes eu falo assim: – “Nem sempre essas palavras, eu não tenho nenhuma autoridade e nem competência pra analisar quem separou, os casais que separam, eu não tenho… não tenho direito de julgar, mas tem um frase para ser respeitada: A tinta da caneta que assina o divórcio é feita com a lágrima da criança.”

Aí dá uma entortada em que está ali perto.

E juro por Deus… e termino com estas: – “Se por acaso um dia vocês perderem as esperanças, procure-a nos fundos dos olhos de uma criança.” Terminou o casamento a mãe da noiva veio chorar no meu ombro.

V – Sobre Causos e Casos. Como foi a idéia de fazer o livro?

O Kiko viu que 15 jornais do interior tinham publicado meus causos. O que é que eu estava esperando? Não sei como.  Eu mandava para a Gazeta Esportiva. A secretaria do jornal espalhava pelo interior. O Kiko cobrando e eu tirando corpo fora. Um belo dia o Getúlio Cardoso soube e se dispôs a fazer o prefácio, ganhados de prêmios Nacional… fiquei entusiasmado, depois, professora Elenir Burrone perguntou do livro. Eu disse que não conhecia a língua e ela se prontificou, gratuitamente, a fazer as correções. Não é piada… Não conheço gramática… eu sei por ouvido. Outro empurrão. Depois, o Caçapa, um a inteligência, ele me pediu o prefácio, como era do Getúlio e o Caçapa queria participar do livro, e fuçou com a apresentação. Chorei com o prefácio, chorei mesmo e chorei com a apresentação. O exagero ficou muito grande.

Fui atrás de uma pessoa que eu admiro. Muita gente não gosta. Eu o chamo de Carlito, o professora Carlos Alberto Paladini,  pois a intimidade é muito grande. Levei uma pasta na mão.. Ele: – “ Antes de você pedir o favor… e o livro?”. Ele disse que já sabia do livro e eu queria que ele lesse. Carlito é franco. Se você disse pra mim, não cometa essa asneira, eu jogo tudo no Rio. Em quinze dias, nervoso, com um medo danado, fui atrás da reposta e o Carlito, deu uma risadinha, chamou a mulher dele: – “ Cida. Responde a pergunta do Malim. O que é que nós achamos do livro?”. Ela falou: – “ Eu gostei muito e o Carlito também”. Aí me ofereceu a capa. Enquanto ele estudava no Tio, nas Belas- Artes, trocávamos cartas. Eram notícias de Mococa para os mocoquenses estudantes.

No dia do lançamento eu fiquei das oito e mia até uma e meia dando autógrafos. Endureceu o dedo. Ficou eu e minha família, e o Carlito sentado em uma cadeira lá, me esperando. Vou mandar levar você em casa. São amizades importantes.

Então umas coisas marcam muito a vida da gente, quando a minha mulher morreu…o meu filho caçula tinha dois anos e meio. Não tive sogros… tive pais… tão bons que eles eram para mim… tive quatro pais… minha sogra passou aqui pegou os três filhos e levou pra casa dela. Pois anos e dez meses de viúvo. Piores da minha vida. Solidão, coisa triste… um dia cheguei pra minha cunhada vai lá em casa, pega aquele guarda-roupa, tudo que tiver da minha mulher ‘cê tira. Tira que eu não posso olhar naquilo.[…] e quando eu estava com astral lá embaixo, mas, bem lá embaixo eu tive que procurar um padre não um padre, não por falta de intimidade, consolo a minha mãe morreu o meu pai, 9º meu irmão, onde que eu ía buscar consolo lá, consolo no meu sogro tinha perdido um filho de 33 anos e perde uma filha de 32. Quem eu procurava? O Edgard de Freitas. Eu não chamava ele de Edgard, eu chamava ele de Silvana, que quando ele tinha uns artigos que ele escrevia ele assinava Silvana Agreste. Ele chegava na redação, na oficina do jornal, embaixo da Paulicéia: -“Não estou para ninguém”, quando ele estava escrevendo ele não queria ser molestado. – “Quando o Malim chegar, manda ele entrar.”

 

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