CIDADÃO? SIM!

Houve época em que cidadão era o morador da cidade; vilão, o morador da vila. Mudanças de tempos outros para os de hoje? Sim. Vilão hoje, onde o encontrareis? Na vila, na cidade, no subúrbio, fardado, à paisana, seja como for. Cidadão? Eis que temos poucos.

Quando falamos em cidadania, em muitos vem à cabeça a imagem de um chato: questiona, reclama, exige o cumprimento de leis, regras e tudo o mais. No entanto, cidadão é elemento precioso para a construção de uma sociedade, em nível mínimo de sustentabilidade e equilíbrio.

Para os governantes de qualquer esfera, o cidadão é lembrado periodicamente quando de eleições e pleitos. Fora desses é inconveniente. Organizado é incômodo. A prática da cidadania, em educação, por exemplo, é a aplicação de tudo o que foi estudado, na vida cotidiana do aluno, de modo que torne, com efeito, e conseqüência os saberes de qualquer disciplina. Dia desses encontrei um livro de álgebra de 1964: nenhuma figura ou possibilidade de aplicação no mundo comum do aluno tudo o que estava escrito. Apenas demonstrações de teoremas e propriedades, seguidas de 40, 50 exercícios, com gabarito a seguir. Será que não se perguntava à época o estudante: pra quê eu estudo isso? Em que me servirá no futuro? Acreditava-se que o bom professor era então, o que realizava exercícios complexos, extensos ou em grande quantidade. Hoje sabemos que bom professor também é sinônimo de associação de áreas e saberes, de modo que o aluno tenha uma visão mais ampla possível de tudo que estuda. Assim, qualquer assunto de qualquer área, terá significado e consistência para quem estuda. Muito mais interessante e despertador.

Quando o indivíduo usa seu conhecimento questionando o modus operandi da sociedade, não estará sendo chato mas sim, peça importante para seu melhoramento, o que atinge a todos. Em São Gonçalo (RJ) por exemplo, há uma ONG chamada Voto Consciente que fiscaliza as ações dos vereadores do município de tal forma, que seu fundador carrega debaixo do braço uma pasta com “material para denúncias” comparando promessas feitas por vereadores com recortes de jornais e o cumprimento delas. Incômodo? Apenas para quem possui discurso vazio, aéreo como um livro de álgebra do anos 60.

Outras ONGs fazem o mesmo (Transparência Brasil, Movimento Tiradentes (Juiz de Fora), Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo), dentre outros). Chatos? Cidadãos.

Fernando Morgado

biologia, D pedro II, RJ

morgabio@ig.com.br

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