MALIM FALA PARA MOCOCA E O MUNDO

Tá gravando ta gravando… a risada também?

Eu sei alguma coisa de Mococa… não sei tudo, é claro…

– A idade traz sabedoria?

Na minha opinião, sim e com muita sabedoria… você na sua juventude tem uma forma de pensar… uma maneira de pensar,

Assim que vai chegando a – não vou dizer velhice – hoje é mais bonito, se fala em terceira idade, muda de pensamento sim. Muda até aquilo que você achava bonito na juventude, você acha feio hoje.

– Uma evolução positiva?

Perfeitamente. Eu digo isso pelos meus 85 é que eu falo que uma coisa que eu adorava na juventude, hoje eu detesto. Que que eu vou fazer?

– Você fala de sua experiência pessoal, mas de modo geral, a pessoa consegue envelhecer e evoluir de  uma maneira geral…

É claro que considerando com o que a vida ofereceu, é claro que hoje eu sou um homem muito mais bem formado e mais bem realizado do que quando eu era jovem. Na juventude a gente encara a vida com muita fome e hoje a gente encara a vida com mais realidade…então eu sinto o seguinte, né, ás vezes as pessoas me perguntam, às vezes, numa roda de amigos, qual é o melhor… o tempo passado ou o atual e eu respondi e até o doutor Aluisio me contestou,  eu respondi o seguinte: “SÓ TENHO SAUDADE DA IDADE, MAIS NADA! Não tem comparação o hoje com o ontem.

Como se faz um entusiasta? Malim dá dicas:

Acho que uma das coisas que prende muito o homem é o ideal.  O homem que tem um ideal ele procura sempre se aprimorar para alcançar o grande sonho dele, né, chegar aonde ele…, né, agora que você perder o ideal, eu até costumo dizer assim que minha idade meu ideal não é mais 100%, ele já caiu muito, mas eu peço a Deus que ele não caia de uma vez, se cair eu sou um homem liquidado… o homem tem que ter um ideal…[…] você tem que ter um sonho que para ser concretizado.

– Uso da cabeça, da memória, escrever sempre, influi na longevidade?

Um ocasião um médico amigo, que eu aposentei do meu serviço de funcionário do estado. Trabalhei com a firma que eu era sócio de meus irmãos, e, comecei a escrever, quer dizer, comecei a escrever… eu desde 39 que eu comecei a minha vida na imprensa como lavador de chapa, naquele tempo tudo era feito letra por letra, num aparelhozinho chamado componidor, eu ia pegando letra por letra,… ta entendendo,  lá eu lavava, varria a oficina, lavava as chapas, e distribuía o jornal no domingo na cidade…. os meus diretores, o Edgard de Freitas e o Orosimbo sempre falavam para mim: “quando você não tiver serviço põe um papel na máquina, bate uma pequena notícia traz aqui, nós vamos corrigir e vamos te orientando(!)… por que eu só tenho o quarto ano de grupo.

– referência ao início de carreira de Machado de Assis

– as pessoas tinham interesse em que as outras (pessoas) se desenvolvesse

Hoje é a destruição…. pelo amor de Deus, hoje não… um dia conversei com o médico er ele disse: NÃO PáRA DE ESCREVER! NÃO PáRA. Você precisa alimentar isso aqui (Malim leva a mão á cabeça) Então quando eu penso assim eu fico lembrando de um  homem que pouco a imprensa exalta hoje, para mim foi uma das figuras do jornalismo brasileiro… Barbosa Lima Sobrinho. O homem era presidente da ABI – associação Brasileira de Imprensa – com 93 anos (leu o pedido de “impeachment” do Collor)… e ele lia, escrevia no Jornal do Brasil, do Rio, toda semana um artigo de quase mais de meia página… quer dizer, um homem de cento e tantos anos, com aquela lucidez é uma coisa que até da gente ficar admirado. Então eu acho que tem que procurar mesmo não parar… aqui tem um clube de idoso, eu admiro muito que eles ficam jogando truco, aliás foi a sorte da minha foi essa instalação aí,  aqui era o maior sanitário a descoberto da América do Sul… e maconha,  seringa ‘cê encontrava aos montes aqui, bom…  eles estão mexendo com… TRUCO! PÁ!PÁ!,  e aquele que… o aposentado que fica no banco, no Brasil, está suicidando lentamente.

 

V – Retorno ao episodio Orosimbo e a formação de jornalista

Eu fui aprendendo…aí um belo dia, um representante do Diário de São Paulo , me convidou para ser correspondente… 1958-59. Né? Aí eu… indicou meu nome aí então então comecei […] em 1947, dez de outubro de 1947 a Gazeta Esportiva que era um tablóide semanal passou a ser um jornal diário especializado em esporte e eu escrevi uma carta o diretor chamado Carlos Joel Neli (?) me oferecendo como correspondente.  E ele me respondeu com rapidez até naquela época difícil, né?, que o jornal estava saindo em circulação diária em caráter experimental. Se por acaso vingasse o meu nome seria lembrando. Exatamente uma no depois ele me escreve… 1948, 47, dizendo que se eu ainda estava interessado que o meu nome tinha preferência.[…] tudo que vocês estão vendo aqui, ó, isso aqui é uma cada de página de cada jornal que publicava matéria minha… não é o jornal inteiro. Eu só tirava a página que publicava  matéria minha e punha aí… tudo aí.

V – Quanto anos de colaboração?

47 até 2003, quando ela fechou as portas como jornal diário.

V – E essa colaboração sempre foi…?

Gratuita… só… eu só ganhei 3 anos, 2 anos, quando o Radium estava na primeira divisão que eles me mandaram um oficio me dando um pro-labore de 500 mirréis. O Radium caiu, eles continuaram me pagando mais um ano, até um dia que veio um oficio do diretor dizendo que “lamentavelmente, a caída do Radium, já não tinha aquela expressão”, e bom…  e “era obrigado a cortar meu pró-labore”, e tal, e eu respondi, só faltei dizer para eles que se fosse preciso pagar pra pagar para ser correspondente eu pago… né… eu respondi. Se for preciso pagar eu pago.

V – Sobre trabalhar de graça.

Reconhecimento, por exemplo, público, assim, eu tenho tido, sim, com honestidade.[…] Tem um homem que eu não quero esquecer nunca na minha vida que é o Edgard de Freitas… muito importante, mo Orosimbo, dois homens… […] eles foram sócios (do A Mococa), depois o Orosimbo ficou sozinho… A Mococa está com cento e… em 1939 eu entrei… depois quatro anos, cinco anos, eu era garoto e tal, aí eu comecei a colocar uma colunazinha e outra… tem uma passagem que marca na vida da gente: quando eu comecei com aquela coluna NOTINHAS, né,  eu não punha o nome. Um belo dia eu parei. Parei, né, me dediquei mais à página esportiva.  Encontrei com o Clovis Marques Dias ele,virou pra mim  e falou: – Por que que ‘cê parou com a tua coluna? “Ah! Seu Clóvis, eu sou mais pelo lado da…” – Não, ‘cê vai continuar.”

Só que eu não punha o nome. […] Em novembro (72) veio aqui Moraes Sarmento que era um radialista da Bandeirantes, veio, trouxe aqui aquele cantor, cantor romântico brasileiro… daqui a pouquinho eu lembro o nome dele… Gilberto Alves!, né, e o Moraes Sarmento… eu fiz boemia 22 anos, Paulicéia, a zona do meretrício, era onde eu andava,né, e o Moraes Sarmento, aqui no bar do Paesano tinha um garçom que gostava muito dos programas do Moraes Sarmento e telefonava: “Olha, aqui é o ambiente da alta boemia Mocoquense”, e citava o nome dos boêmios, inclusive o meu…

Então o Moraes Sarmento de vez em quando mexia…

 

1 Comentário

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One response to “MALIM FALA PARA MOCOCA E O MUNDO

  1. Alegrou-me esse sopro dos gerais em Mococa. Entretanto, a moda de Riobaldo, botei boca no mundo contra o texto do Daniel: ” Herege! Lucifer! Por que não faz compania pro Hermogenes? Cão!Agora te conheci pelos avessos!”
    De fato, o texto do Daniel ( bíblico?) parece de um pastor da igreja Universal.
    Bem, o jornal é muito bem vindo. Estão todos de parebens.
    Getulio

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